09/03/10
- Líderes decidem hoje se colocam projeto que
libera os jogos de azar entre as prioridades da Câmara.
Proposta tem apoio da maioria dos governistas. Três anos
após o fechamento das últimas casas de jogos no
país, a Câmara dos Deputados articula a retomada
neste semestre da votação da proposta que legaliza
os bingos, videobingos e videoloterias no Brasil. A decisão
de levar o Projeto de Lei 2.257/07 ao plenário pode ser
tomada hoje, quando os líderes partidários se
reúnem para decidir as prioridades para os próximos
meses. A matéria conta com o apoio da maioria da base
governista.
Na
semana passada, o líder do governo, deputado Cândido
Vaccarezza (PT-RS), defendeu o texto e disse que pretendia convencer
mais colegas a aprová-lo. Em fevereiro, o líder
do PMDB, Henrique Alves (RN), já havia defendido que
a Casa não poderia evitar o tema, por mais polêmica
que ele envolva. Nos bastidores, o principal obstáculo
para o reinício da discussão é a falta
de consenso sobre o impacto eleitoral da matéria.
“Os
deputados que são contra estão diminuindo porque
o projeto está bem redondo”, diz o relator da proposta,
Régis de Oliveira (PSC-SP). Na última etapa de
tramitação, em setembro de 2009, o texto foi aprovado
por 40 votos a 7 na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ). Os votos contrários foram liderados
pelos petistas Antonio Carlos Biscaia (RJ) e José Eduardo
Cardozo (SP) e por setores da bancada evangélica.
“Há
certa pressão, principalmente por parte dos religiosos,
mas se os líderes decidirem colocar em pauta, o texto
vai ser aprovado. E eu diria que até bem facilmente”,
ressalta Oliveira. Entre outras regras, o projeto prevê
uma série de restrições às novas
casas de jogo. Proíbe, por exemplo, a criação
de estabelecimentos a uma distância inferior a 500 metros
de escolas e igrejas. Além disso, assegura a cobrança
de royalties destinados a investimentos públicos em saúde,
cultura, esportes e segurança pública.
A
possibilidade de aumentar a arrecadação de impostos
criou simpatia à proposta dentro do governo. A expectativa
é de que o volume de tributos pagos pelo setor chegue
a R$ 6,5 bilhões ao ano. Além disso, a Força
Sindical (um dos padrinhos mais fortes do texto) estima a criação
de pelo menos 250 mil novos postos de trabalho.
“Eu
diria que o governo não tem nada contra o projeto e até
tem torcido discretamente pela aprovação”,
afirma o presidente da Associação Brasileira de
Bingos (Abrabin), Olavo Sales de Oliveira. Ele próprio,
entretanto, não acredita que os líderes aceitarão
colocar o tema em votação. “Todo mundo é
simpático à ideia, mas ninguém assume a
responsabilidade para si.
”Oliveira
disse que outras propostas prontas para serem apreciadas em
plenário teriam mais impacto no eleitorado, como a que
amplia a licença-maternidade de 120 para 180 dias e a
que aumenta o piso salarial dos policiais militares para R$
3,5 mil, que já começou a ser votada na semana
passada. Além disso, há o histórico de
os bingos serem ligados à lavagem de dinheiro.
Nessa
linha, as críticas mais duras ao projeto têm sido
feitas pelo deputado José Eduardo Cardozo. Segundo ele,
só será possível coibir a lavagem de dinheiro
com a divulgação dos ganhadores e respectivos
números no Cadastro de Pessoas Físicas na internet
– dispositivo que não está contemplado no
texto. Apesar do posicionamento duro de Cardozo e de Biscaia,
petistas históricos como o deputado José Genoino
(SP) tem engrossado o grupo a favor da legalização.
Entre
os deputados do PT que mudaram recentemente de lado está
o paranaense Dr. Rosinha. Ele disse que a proposta mudou de
figura a partir do momento em que ficou definido que as apostas
serão monitoradas diretamente pela Receita Federal.
“Com
todo esse controle, não há porque votar contra.
Aí acaba a lavanderia de dinheiro, o incentivo à
criminalidade”, explica Rosinha.
Fonte:
Gazeta
do Povo