
Gilmar
Mendes dobra orçamento do STF com comunicação
25/01/10
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O Supremo Tribunal Federal (STF) terá R$ 59,3 milhões,
11% de todo o seu orçamento, para gastar com comunicação
social em 2010. O valor, aprovado em dezembro pelo Congresso,
representa quase o dobro dos R$ 30,34 milhões previstos
para a área na proposta orçamentária enviada
pelo Executivo. O aumento, de 96%, foi incluído na peça
orçamentária por emenda da Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) da Câmara, a pedido do presidente
do Supremo, Gilmar Mendes. As informações são
do site Congresso em Foco.
Na
justificativa encaminhada aos deputados, Gilmar defendia a injeção
de mais R$ 40 milhões no orçamento para levar o
sinal digital da TV Justiça a duas capitais, Rio e Belo
Horizonte. O ministro acabou atendido parcialmente pelos parlamentares,
que decidiram alocar mais R$ 29 milhões para a rubrica.
Desse total, R$ 9 milhões foram garantidos pelo relator
setorial de Poderes do Estado, deputado Márcio França
(PSB-SP). Os demais R$ 20 milhões foram incluídos
pelo relator-geral, deputado Geraldo Magela (PT-DF).
O
aumento de recursos para a comunicação foi o único
conseguido pelo Supremo durante toda a tramitação
da lei orçamentária no Congresso. A mudança
elevou o orçamento anual da mais alta corte do país
– dos R$ 481,8 milhões estabelecidos na proposta
enviada pelo Executivo – para R$ 510,9 milhões. O
valor fica abaixo dos R$ 576,7 milhões da lei orçamentária
do ano passado. Desse total, R$ 32,9 milhões (5,7%) eram
destinados à comunicação social.
O
gasto do Supremo com comunicação este ano supera
em quase cinco vezes o orçamento do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), responsável pela condução das eleições
de outubro em todo país, que contará com R$ 12,7
milhões para divulgar suas ações institucionais,
de acordo com a proposta orçamentária. É
também sete vezes maior que os R$ 8 milhões que
o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) terá para gastar
com comunicação social neste ano.
A
emenda que garantiu o aumento do orçamento foi pedida diretamente
por Gilmar Mendes em ofício encaminhado à CCJ em
novembro do ano passado. O dinheiro, segundo o ministro, será
usado para a criação do sinal digital da TV Justiça
no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. No texto encaminhado ao
presidente da CCJ, Gilmar afirma que a criação do
sinal digital nas duas capitais é "essencial como
instrumento de aproximação da justiça com
o cidadão".
O
ministro diz ainda que a injeção de recursos na
TV Justiça leva em consideração o cronograma
definido pelo Ministério das Comunicações
para a implantação da TV digital no país.
As emissoras têm até 2016 para se adequarem ao novo
modelo e transmitirem unicamente pelo sistema digital.
O
pedido de Gilmar Mendes chegou à Câmara após
um requerimento apresentado pelo deputado Regis de Oliveira (PSC-SP),
ex-desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo,
pedindo a inclusão da verba para a TV Justiça entre
as emendas que seriam encampadas pela CCJ na proposta orçamentária
de 2010. Os deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Paes Landim (PTB-PI)
e Índio da Costa (DEM-RJ) também apresentaram requerimentos
na comissão para o mesmo objetivo, entre outubro e novembro.
A
emenda foi acolhida pela CCJ no dia 18 de novembro em reunião
bastante concorrida, que contou com a presença de 83 deputados,
número superior aos 61 titulares da comissão. "É
normal e histórico o atendimento de emendas dos tribunais
superiores. É obrigatório. E foi aprovado em sessão
da comissão por ampla maioria dos deputados da comissão",
diz o presidente da CCJ da Câmara, Tadeu Fillippeli (PMDB-DF).
O
relator setorial que cuidou da distribuição de recursos
para os três Poderes, Márcio França, diz que
não se recorda da inclusão da emenda. "Não
me lembro dessa emenda específica. Lembro que fizemos até
um corte de R$ 100 milhões em grandes obras do Judiciário",
afirma o deputado.
A
investida do presidente do Supremo para reforçar o orçamento
da comunicação deve ser uma das derradeiras ações
de Gilmar Mendes no comando do STF. Dono de um estilo considerado
polêmico inclusive por alguns de seus colegas, o ministro
se prepara para passar a presidência ao atual vice, ministro
Cezar Peluso, em abril.
Sediada
em Brasília, a TV Justiça entrou no ar em agosto
de 2002, com o objetivo de “preencher uma lacuna deixada
pelas emissoras comerciais em relação às
notícias ligadas às questões judiciárias”
e “ser um espaço de comunicação e aproximação
entre os cidadãos e o Poder Judiciário, o Ministério
Público, a Defensoria Pública e a Advocacia”.
“Realizamos
uma cobertura jornalística prolongada, profunda e variada,
para evitar que temas importantes e complexos sejam abandonados
ou tratados de forma superficial”, informa a emissora em
sua página na internet. O sinal da TV Justiça pode
ser captado no sistema aberto em Brasília e pelo sistema
a cabo, por satélite e antenas parabólicas em todo
o país.
O
Congresso em Foco fez contato com o STF na última quinta-feira
(21), mas não recebeu retorno até agora. A assessoria
informou, inicialmente, que não sabia o motivo do reforço
orçamentário e que encaminharia o pedido de informações
do site ao departamento técnico. A resposta ainda não
chegou. A reportagem também procurou o relator-geral do
orçamento, deputado Geraldo Magela, para comentar o assunto.
O parlamentar não respondeu os pedidos de entrevista deixados
em seu telefone celular e com sua assessoria.
Fonte:
Edson
Sardinha e Lúcio Lambranho, do site Congresso em Foco,
JB Online
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