
Projeto
prevê pena de até quatro anos de prisão para
quem prejudicar portadores do vírus HIV
15/11/09
- Correio Braziliense - Prestes a aprovar uma
lei que pune com reclusão de um a quatro anos as pessoas
que discriminarem os portadores do vírus HIV, a Câmara
dos Deputados pode beneficiar os cerca de 630 mil infectados pela
doença no Brasil. A expectativa é que o Projeto
de Lei nº 6124/05, de autoria da senadora Serys Slhessarenko
(PT-MT), seja aprovado até o fim de novembro. Na avaliação
do relator, Regis de Oliveira (PSC-SP), a proposição,
que tramita na Comissão de Constituição e
Justiça (CCJ), conta com o apoio da maioria dos parlamentares.
O
projeto pune as seguintes condutas discriminatórias: recusar,
procrastinar, cancelar ou segregar a inscrição ou
impedir que permaneça como aluno em creche ou estabelecimento
de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado;
negar emprego ou trabalho; exonerar ou demitir de seu cargo ou
emprego; segregar no ambiente de trabalho ou escolar; divulgar
a condição do portador do vírus HIV com o
intuito de ofender-lhe a dignidade; e recusar ou retardar atendimento
de saúde. “Não tem nenhum sentido deixar de
punir quem discrimina os portadores dessa enfermidade. Eles já
foram punidos com a doença”, afirma Oliveira.
Confiante
na aprovação de seu projeto, Serys espera que a
proposta não volte para o Senado. “Já demorou
muito. Tem que virar lei logo. As pessoas precisam entender que
os infectados pelo HIV não estão impedidos de exercerem
nenhuma atividade social, física ou profissional”,
explica.
Se
o projeto em tramitação na Câmara já
tivesse sido transformado em lei, a dona de casa Maria do Carmo
(nome fictício), 45 anos, moradora do Guará II,
poderia respirar mais aliviada. Em junho deste ano, ele teve sua
condição de portadora do HIV divulgada, sem a sua
autorização, por uma perita da Diretoria de Saúde
do Trabalhador (Disat), localizada na 912 Sul. “Até
hoje sofro com isso. Engordei sete quilos e tive que procurar
ajuda de um psiquiatra. Sem o meu consentimento, a perita explicitou
minha situação diante de outros profissionais de
saúde que me acompanhavam para a emissão de uma
Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT)”,
denuncia.
Fonte:
Correio
Braziliense
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