Parlamentares
resistem a projetos pró-transparência
21/10/09
- Um exame da pauta do Congresso mostra que os projetos para aumentar
a transparência do Legislativo estão engavetados
ou tramitam em ritmo lento. A lista de temas é longa e
inclui acordos de cooperação internacional, o fim
das doações ocultas nas eleições e
do voto secreto, além da barreira à candidatura
dos políticos fichas-sujas. Este último é
um projeto de iniciativa popular que reuniu 1,3 milhão
de assinaturas, mas já enfrenta forte resistência.
Após
15 meses de oposição, por exemplo, o governo tenta
aprovar hoje um acordo que permite a troca de informações
tributárias entre o Brasil e os Estados Unidos, como instrumento
de combate à sonegação. O projeto, com base
em acordo assinado em 2007, enfrenta a resistência de integrantes
da Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) da Câmara.
Outro
exemplo da resistência do Legislativo ao tema ocorreu recentemente,
com a aprovação da lei eleitoral. Uma cláusula
incluída no projeto liberava a doação oculta.
Esse mecanismo permite que as empresas e as pessoas físicas
façam doações aos partidos sem identificação
dos candidatos que receberão o dinheiro, acabando com o
vínculo direto do doador.
Já
a proposta de iniciativa popular para impedir a candidatura dos
fichas-sujas não foi sequer incluída na pauta de
propostas para votação até o fim do ano sugerida
pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e pelos
líderes partidários.
O
projeto proíbe candidaturas de pessoas condenadas em primeira
instância, ou com denúncia recebida por um tribunal,
por crimes de racismo, homicídio, estupro, tráfico
de drogas e desvio de verbas públicas, além das
condenadas por compra de votos ou uso da máquina.
Também
ficou fora da pauta a proposta de emenda constitucional que acaba
com o voto secreto no Legislativo. Foi aprovada em primeiro turno
em setembro de 2006 e, desde então, está à
espera do segundo turno.
ACORDO
No
caso do acordo entre Brasil e Estados Unidos, em 2008 a proposta
recebeu parecer contrário do relator, deputado Régis
de Oliveira (PSC-SP), obrigando o governo a evitar a votação,
sob risco de ver o acordo rejeitado, e a articular voto formal
favorável ao projeto.
O
acordo de intercâmbio de informações se aplica
no caso do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) e de
Pessoa Jurídica (IRPJ), Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI), Imposto sobre Operações Financeiras (IOF),
Imposto sobre Propriedade Rural (ITR), contribuição
para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição
Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição
Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Não incluem
tributos estaduais nem municipais.
Para
os Estados Unidos, o acordo permite troca de informações
sobre tributos similares, como impostos federais sobre a renda,
entre outros. O relator considerou o acordo ameaça à
soberania nacional e invasão do direito à privacidade
do contribuinte. "O acordo compromete direitos e garantias
fundamentais dos cidadãos brasileiros e de suas empresas
e o interesse público nacional", afirmou Regis de
Oliveira. "O acordo é muito perigoso para o País",
disse.
Os
deputados José Genoino (PT-SP) e Flávio Dino (PCdoB-MA)
contestaram o parecer de Regis. Lembraram que o Brasil tem acordos
de troca de informações fiscais com diversos países,
como França, Portugal , Chile, Bélgica, Itália
e Índia.
FRASES
Regis de Oliveira
Deputado (PSC-SP)
"O
acordo compromete direitos e garantias fundamentais dos cidadãos
brasileiros e de suas empresas e o interesse público nacional.
O acordo é muito perigoso para o País"
José
Genoino
Deputado (PT-SP)
"A
troca de informações tributárias é
um dos protocolos do G-20 para combater a lavagem de dinheiro"
Fonte:
Agência
Estado
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