| Falta
de leis leva à exploração de jogos de azar,
diz deputado
22/09/09 - O deputado Regis de Oliveira
(PSC-SP), relator do projeto que legaliza os bingos e caça-níqueis,
afirmou que o vazio legislativo em relação aos jogos
de azar no País é a principal causa da proliferação
de quadrilhas que exploram a jogatina, como a que acaba de ser
desmantelada pela Operação Novelo, da Polícia
Civil paulista. O projeto, conforme destacou, tipifica como crime
o jogo clandestino, com pena de até cinco anos de reclusão,
mais sanções econômicas. "Hoje, a lei
trata como mera contravenção e só pune o
coitadinho", criticou.
O
projeto, segundo Regis, está bem amarrado e, após
a regulamentação, os jogos terão controle
absoluto dos órgãos fiscais e policiais do Estado.
"Não haverá brechas para atuação
de casas clandestinas e a atuação desse tipo de
quadrilha ficará mais difícil", previu. A operação,
para ele, não significa retaliação para criar
ambiente desfavorável ao projeto que legaliza os bingos,
aprovado em todas as comissões técnicas e pronto
para ir a votação em plenário. "Não
se faz uma operação desse porte a toque de caixa",
disse Regis.
Se
prevalecer no plenário o texto aprovado na Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ), todas as
outras modalidades, incluindo cassinos e jogo do bicho, permanecerão
na ilegalidade, e os infratores estarão sujeitos a penas
maiores, de 1 a 5 anos de prisão, mais multa. Segundo dados
que ele levantou, as investigações começaram
há cerca de um ano e as diligências foram preparadas
com meses de antecedência, o que inclui trabalho de inteligência,
autorizações judiciais, mapeamento dos alvos e mobilização
de equipe. "A polícia tem mais é que prender
e reprimir esse tipo de grupo criminoso", afirmou.
A
Justiça expediu mais de 350 mandados de busca e apreensão
e 39 de prisão, em postos comerciais e residenciais. Regis
lamentou, porém, que em breve estejam todos soltos. Atualmente,
a pena para o jogo é de 3 meses a 1 ano, convertida em
prestação de serviços comunitários.
Com
a legalização, os estabelecimentos terão
destinação exclusiva e não poderão
explorar outros serviços, à exceção
de restaurante, bar e shows. As máquinas ainda precisarão
ser homologadas pelo Ministério da Fazenda. O texto prevê
ainda que os jogos tenham acompanhamento online pela Receita Federal
e os ganhadores tenham o nome inserido na hora da premiação.
Os impostos serão descontados na fonte e repassados à
Receita no dia seguinte.
As
apostas deverão ser pagas à vista, o que, na opinião
do deputado, reduz o risco de endividamento do jogador. Ao menos
70% da arrecadação dos estabelecimentos deve ser
paga em prêmios. Do volume arrecadado, 17% serão
destinados, em forma de royalties, a setores sociais como saúde
(14%), segurança (1%), esportes (1%) e cultura (1%).
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