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Câmara
analisa fim do foro privilegiado no STF
21/09/09
- Três propostas de emenda à Constituição
(PEC) estão na pauta do Plenário da Câmara
esta semana. Duas delas causam polêmica entre os deputados:
a que promove a reforma tributária e a que acaba com o
chamado foro privilegiado, ou seja, a prerrogativa de parlamentares
e outras autoridades de serem julgados apenas pelo Supremo Tribunal
Federal (STF). Também está pronta para votação
a chamada PEC dos Vereadores, já aprovada em primeiro turno.
Levantamento
feito pelo Congresso em Foco em junho revelou que 150 deputados
e senadores (confira a lista) respondiam a 318 inquéritos
e ações penais na mais alta corte do país
(leia mais). A PEC acaba com o foro privilegiado para deputados,
senadores, presidente da Republica, vice-presidente, ministros
e procurador-geral da República.
Pelo
ordenamento jurídico brasileiro, essas autoridades podem
ser julgadas apenas pelo STF em questões criminais e administrativas.
Também depende da suprema corte a autorização
para as investigações desencadeadas pela Polícia
Federal e a Procuradoria Geral da República que envolvam
congressistas.
Para
o autor da proposta, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), o foro
privilegiado “se descaracterizou” e se tornou “condição
de inaceitável privilégio de caráter pessoal”.
“A
nosso ver, fazendo nossas as palavras do Supremo Tribunal Federal
de que nada pode autorizar o desequilíbrio entre os cidadãos
da República, o reconhecimento da prerrogativa de foro,
perante o Supremo Tribunal Federal ou quaisquer outras cortes,
nos ilícitos penais comuns, em favor de quem quer que seja,
não só daqueles que usufruem deste privilégio,
mas de qualquer pessoa, transgride valor fundamental à
própria configuração da idéia republicana”,
justifica o peemedebista fluminense.
O
relator da proposta na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) da Câmara, deputado Regis de Oliveira
(PSC-SP), deu parecer favorável à proposta recorrendo
a um clássico da literatura.
“O
princípio republicano que garante a responsabilidade das
autoridades públicas não admite que haja qualquer
privilégio em razão de qualquer circunstância.
Todos são iguais, dispõe o princípio da isonomia,
perante a lei. Só que, como diz George Orwell, alguns podem
ser mais iguais que outros (‘A revolução dos
bichos’).”
O
substitutivo aprovado pela CCJ estabelece que todas as autoridades
respondam no juízo de 1º grau. Prisões, violação
de sigilo ou impugnação de bens poderão ser
determinadas pelo juiz comum, após autorização
prévia do tribunal. No caso dos parlamentares, a denúncia
será analisada pelo Supremo Tribunal Federal e remetida
ao juiz do estado original do acusado.
PEC
dos Vereadores
Os
deputados devem votar, em segundo turno, a PEC dos Vereadores,
que aumenta em 7.343 o número de vaga nos legislativos
municipais do país. O texto precisa passar por uma nova
análise em plenário para ir à promulgação.
Essa
proposta amplia de 51.748 para 59.791 o número de vereadores
no país – aumento de 14,1%. A proposição
também altera a proporcionalidade de vereadores em relação
à quantidade de habitantes em cada município. Assim,
os menores municípios (até 15 mil habitantes) passarão
a ter nove representantes e os maiores (até 8 milhões),
55 vereadores.
Apesar
de a matéria caminhar para o trâmite final, o presidente
do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto,
já se pronunciou sobre a proposta. De acordo com ele, mesmo
com a promulgação, a ampliação do
número de cargos de vereador só será aplicada
a partir das próximas eleições municipais,
ou seja, em 2012. (leia mais)
Reforma
tributária
O
primeiro turno da PEC da Reforma Tributária também
está na pauta de votações da Câmara.
Mas são remotas as chances de votação por
enquanto, uma vez que o tema ainda não está devidamente
amadurecido entre os parlamentares.
Em
linhas gerais, a proposta de reforma tributária prevê
a unificação das 27 legislações do
Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS), a extinção de quatro tributos (Cofins, PIS,
Salário Educação e CSLL) para a criação
do Imposto sobre Valor Adicionado Federal (IVA-F) e a instituição
do Fundo de Desenvolvimento Regional.
A
matéria foi aprovada na comissão especial, último
estágio antes do plenário, em novembro do ano passado.
No entanto, governo e oposição não conseguem
chegar a um acordo sobre a proposta. Para os oposicionistas, a
carga tributária vai aumentar caso o projeto seja aprovado.
O relator, deputado Sandro Mabel (PR-GO), destaca que o peso dos
impostos sobre o contribuinte tende a subir caso o sistema tributário
nacional não seja reformulado.
O
Senado não divulgou a agenda de plenário para esta
semana. Os temas que devem ser apreciados pelos senadores nas
sessões deliberativas podem ser decididos na terça-feira
(22), durante reunião de líderes partidários
com o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP).
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