CCJ
da Câmara aprova projeto que libera bingos e caça-níqueis
16/09/09
- A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça)
da Câmara aprovou nesta quarta-feira projeto que libera
o funcionamento dos bingos e máquinas de caça-níqueis
no país. Por 40 votos a 7, os deputados acataram proposta
do deputado Regis de Oliveira (PSC-SP) que acaba com a proibição
ao funcionamento dos principais jogos de azar no país.
Com a aprovação, a proposta vai para o plenário
da Câmara e depois vai para o Senado.
Os
integrantes da CCJ debateram o tema por mais de três horas
antes de concluírem pela liberação dos bingos.
O deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ) não conseguiu
aprovar seu parecer sobre o projeto que mantinha a proibição
das atividades de casas de bingos e máquinas caça-níqueis
em todo o país.
Oliveira
teve o apoio da maioria dos integrantes da CCJ ao argumentar que
o fechamento de bingos, cassinos e casas de jogos de azar provocou
prejuízos à sociedade e ao Estado brasileiro. O
deputado afirma, em seu parecer, que os estabelecimentos foram
obrigados a fechar, o que "gerou a demissão de um
número enorme de empregados".
O
relator cita, no texto, estudo realizado pela Força Sindical
que apontou o fechamento de 320 mil postos de trabalho depois
da proibição de funcionamento dos bingos. Oliveira
afirma que, apesar da proibição, algumas casas de
bingos continuam funcionamento clandestinamente sem arrecadar
impostos ao país.
"O
jogo de bingo, como qualquer outra atividade econômica,
é uma fonte de arrecadação de impostos. Calcula-se
que, só com as taxas para regulamentar o setor, a arrecadação
seria de aproximadamente R$ 230 milhões, valor destinado
a um Fundo Social. Isso sem contar os impostos normais. De outra,
parte da regulamentação desta atividade geraria
inúmeros empregos", afirma o relator.
Oliveira
ainda argumenta, no texto, que a reabertura de cassinos vai ajudar
a "fomentar" a indústria do turismo no país.
Os deputados, porém, retiraram do texto a possibilidade
de instalação de cassinos no Brasil. Estão
liberadas, apenas, as casas de bingos --que também estão
autorizadas a realizar videojogos, entre eles aqueles encontrados
nas máquinas caça-níqueis.
Na
opinião do relator, a legalização dos jogos
"diminuiria significativamente a corrupção,
principalmente na esfera policial, fortalecendo os órgãos
incumbidos da segurança da população".
O
projeto de Oliveira prevê o repasse de 17% das receitas
das casas de bingos para a saúde, cultura, esportes e segurança
pública --nos percentuais, respectivamente, de 14% e 1%
para as demais áreas. O deputado José Eduardo Cardozo
(PT-SP), que apresentou parecer intermediário entre os
textos de Oliveira e Biscaia, disse não acreditar no repasse
tão volumoso para as áreas sociais do país.
"De
acordo com o que está no projeto, vendendo-se a ideia de
que haverá benefício social, o que irá para
as políticas públicas será apenas 5,1% da
receita de videobingos e videojogos. Fica fora dos 5,1% o bingo
comum", afirmou o petista.
Cardoso
também criticou a permissão, prevista no projeto,
de que uma mesma empresa explore até três casas de
bingo. Ele argumenta que isso vai estimular a concentração
econômica no setor e estimular irregularidades.
Restrições
Desde
2004, estão proibidos no país o funcionamento de
bingos e máquinas caça-níqueis com o argumento
de que a prática traz prejuízos para os jogadores
--inclusive psicológicos. Oliveira sugere, em seu parecer,
que os bingos sejam instalados numa distância mínima
de 500 metros de escolas regulares, públicas ou privadas,
assim como de templos religiosos.
Para
"garantir o equilíbrio econômico-financeiro
dos Estados", Oliveira sugere que, em cidades até
500 mil habitantes, seja instalada uma casa de bingo para cada
100 mil pessoas. Nas cidades que possuem mais de 500 mil habitantes,
poderia funcionar um estabelecimento para cada 150 mil habitantes.
Funcionários
de bingos e empresários do setor acompanharam a votação
na CCJ com cartazes favoráveis à liberação
do jogo. A Força Sindical também mobilizou militantes
para defender os bingos com o argumento de que os jogos vão
ampliar a oferta de empregos no país.
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