Comissão
da Câmara aprova liberação de bingos e caça-níqueis
no Brasil
16/09/09
- Comissão de Constituição e Justiça
da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, por
40 votos a 7, o projeto de lei que legaliza a atividade de bingos
e uso de caça-níqueis no Brasil. O relator, deputado
Regis de Oliveira (PSC-SP), apresentou parecer favorável,
argumentando que as regras irão resultar em aumento significativo
na arrecadação do País, além de fomentar
o setor de turismo.
As
normas foram votadas na esteira do PL 270/2003, do deputado Antônio
Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), que pretendia proibir a exploração
da atividade. Porém, textos voltados para a liberação
da atividade foram agregados à proposta que obteve parecer
pela liberação, nas comissões de Desenvolvimento
Econômico e de Finanças e Tributação
da Casa. O projeto ainda deverá passar pelo plenário
da Câmara, diante de divergência em relação
ao relatório.
Contrários
Na
CCJ, alguns deputados contestaram o montante a ser arrecadado
dos donos dos estabelecimentos. Para o deputado José Eduardo
Cardozo (PT-SP), o total a ser destinado para fins sociais não
justifica a liberação da atividade. A proposta prevê
a cobrança de royalties mensais equivalente a 17% da receita
da venda de cartelas e apostas nos terminais de caça-níqueis.
Ficariam excluídos os recursos efetivamente pagos aos apostadores.
“Dessa forma, apenas 5% chegará efetivamente aos
fundos voltados para Saúde, Educação e Esportes,
como prevê o projeto”, disse o petista.
Quanto
ao tema, o relator concordou em acrescentar destinação
para Segurança Pública, além de verbas para
Saúde, Educação e Esportes.
Cardozo
também questionou a isenção aos donos dos
estabelecimentos dos impostos incidentes sobre os prêmios
pagos. O deputado acredita que a medida facilitará a lavagem
de dinheiro. “O dono do negócio não perderá
nada, porque quem terá de pagar os impostos sobre os prêmios
será o que está lavando dinheiro”, destacou.
Ao
defender voto em separado, o deputado Antônio Carlos Biscaia
(PT-SP) também reforçou a relação
da atividade com o crime organizado e criticou o fato de o imposto
cobrado pela exploração dos bingos ser menor que
a taxa para imposto de renda. “A taxa é menor do
que o índice mais alto do Imposto de Renda, que é
27%. O setor vai ganhar milhões e pagar menos do que o
que seria cobrado no imposto de renda”, disse.
Favoráveis
Os
argumentos foram vencidos pelos parlamentares que defenderam a
aprovação do projeto. A maioria apontou que a legalização
irá reduzir o envolvimento do setor com o crime organizado,
uma vez que haveria fiscalização mais rígida
sobre a atividade. A proposta limita a cada sociedade empresarial
autorização para operar três estabelecimentos
de bingo permanente.
A
fiscalização também deverá contar
com inspeção, auditoria operacional e de sistemas
de informática, auditoria de gestão, contábil,
financeira e fiscal, coordenadas pelo Ministério da Fazenda.
Alterações
Após
discussões na comissão, o relator da proposta, deputado
Regis de Oliveira (PSC-SP), aceitou sugestões apresentadas.
Entre elas, está a retirada de emenda que reduzia de 500
para 100 metros a distância dos estabelecimentos em relação
a escolas e templos religiosos. O estabelecimento também
não poderá colocar máquinas de videojogo
em locais visíveis ao público.
Em
defesa de seu relatório, Oliveira destacou que o jogador
que vencer apostas deverá ser identificado ao receber prêmio,
por meio eletrônico. Isso evitaria irregularidades. O relator
reforçou que a proposta em discussão não
estende a liberação a cassinos.
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